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Santo

São Martinho de Lima (Martinho de Porres)

São Martinho de Lima (Martinho de Porres)
Martin-de-porres · Areyes108 · CC BY-SA 3.0 · origem

Lima (Peru), 9 de dezembro de 1579 · Lima, 3 de novembro de 1639 · canonizado em 1962

  • Justiça social e harmonia entre os povos
  • Barbeiros e cabeleireiros
  • Enfermeiros
  • Peru
“Eu te curo, Deus te salva.”
Frase atribuída a ele pela tradição de Lima, que a repete como resumo do seu serviço aos doentes. Não há registro escrito do próprio santo. Tradução do portal do espanhol ("Yo te curo, Dios te salva").

Página em conferência. O texto foi redigido pelo portal a partir das fontes indicadas e ainda está sendo revisado; datas e detalhes podem ser ajustados.

Vida

Martinho era filho de um fidalgo espanhol, Juan de Porres, e de Ana Velázquez, mulher negra liberta, nascida no Panamá. O pai não o reconheceu de início, e ele cresceu pobre, com a mãe e a irmã, sofrendo o desprezo reservado aos mestiços e negros na Lima colonial. Ainda menino, aprendeu o ofício de barbeiro, que na época incluía curar feridas, fazer sangrias e preparar remédios com ervas.

Por volta dos 15 anos, pediu para entrar no convento dominicano do Santo Rosário. As leis da Ordem não permitiam que um mestiço fosse frade, e ele foi aceito como "donado", um servo leigo que fazia os trabalhos mais humildes. Em 1603 os superiores, impressionados com sua virtude, permitiram que fizesse a profissão como irmão leigo.

Por décadas foi enfermeiro, barbeiro e porteiro do convento. Cuidava de frades, escravos, indígenas, espanhóis pobres e até de animais doentes, e ajudou a fundar um abrigo para crianças órfãs. Foi amigo de Santa Rosa de Lima e de São João Macías. Morreu em 3 de novembro de 1639, aos 59 anos, com a cidade inteira em seu velório. Foi beatificado em 1837 e canonizado por João XXIII em 6 de maio de 1962, o primeiro santo negro das Américas.

Fontes: Atas do processo de beatificação aberto em Lima em 1660, com depoimentos de testemunhas que o conheceram; papa João XXIII, homilia da canonização (6 de maio de 1962); arquivos do convento de Santo Domingo de Lima.

O que nos ensina

Martinho ensina que nenhuma pessoa vale menos por causa da cor, da origem ou da condição social. Ensina a humildade de quem aceita o último lugar e faz dele lugar de serviço. E mostra que cuidar do corpo de quem sofre, com as mãos e com remédios simples, é uma forma concreta de anunciar o Evangelho.

Milagres

  1. Reconhecido

    Milagres da canonização

    Para a canonização, em 1962, foram reconhecidas duas curas: a de Dorotea Caballero Escalante, no Paraguai (1948), e a de um menino de Tenerife, Antonio Cabrera Pérez, com uma perna gangrenada (1956).

  2. Tradição

    O cão, o gato e o rato

    A tradição conta que ele fez um cão, um gato e um rato comerem em paz no mesmo prato, e que pedia aos ratos do convento que fossem para o jardim, onde ele os alimentava. É a imagem mais conhecida do santo, mas é relato popular.

  3. Tradição

    Bilocação e levitação

    Testemunhas do processo contaram que ele foi visto em lugares distantes, como no México, na China e na África, sem nunca ter saído de Lima, e que entrava em quartos fechados para socorrer doentes. São relatos devotos registrados nos depoimentos.

“Reconhecido” = examinado nos processos de beatificação e canonização ou narrado nas fontes oficiais. “Tradição” = relato devoto, sem exame formal.

Curiosidades

  • É representado com a vassoura, símbolo dos trabalhos humildes que fazia no convento, e por isso é chamado de "Frei Vassoura" em vários países.
  • Os restos de Martinho, Santa Rosa de Lima e São João Macías estão no mesmo convento, em Lima: três santos amigos da mesma cidade e da mesma época.
  • Na canonização, João XXIII o chamou de "Martinho da caridade".
  • Em vários países da América Latina e nos Estados Unidos, é padroeiro de movimentos contra o racismo.
  • No Brasil e em Portugal é conhecido como "São Martinho de Lima"; nos países de língua espanhola, como "San Martín de Porres".

Oração

São Martinho de Lima, servo humilde e cheio de caridade, que cuidaste de todos sem olhar cor nem condição, ensina-nos a ver em cada pessoa um irmão. Intercede pelos doentes, pelos que sofrem discriminação e pelos que trabalham no serviço escondido. Que as nossas mãos sirvam e o nosso canto una os corações. Amém.

Oração redigida pelo portal Músico Católico.

Para retiro, encontro ou evento

Tema
Ninguém fica de fora
Lema
"Eu te curo, Deus te salva"
Leitura
Gl 3,26-28 (sugerida)
Público
Jovens, pastoral social, pastoral da saúde, pastoral afro, ministérios de música
  1. 1Reparar: perceber quem fica de fora no nosso grupo, na escola ou na comunidade, e por quê.
  2. 2Servir: escolher um serviço humilde e escondido para fazer na semana, sem contar a ninguém.
  3. 3Unir: rezar juntos por uma situação concreta de preconceito e pensar um gesto para mudá-la.

Dinâmica: "O mesmo prato", 40 min · pães, uma mesa comum, papel. O grupo partilha o pão na mesma mesa e cada um escreve um preconceito que precisa vencer; os papéis são rasgados e depositados aos pés da cruz.

Quando celebrar

3 de novembro · Memória facultativa · Branco

Santuários e devoção

  • Túmulo: Basílica e Convento de Santo Domingo (Santo Rosário), Lima (Peru)
  • Lima: Santuário de Santa Rosa de Lima, perto do centro histórico (Peru)
  • Lugar da casa natal: Centro histórico de Lima, na região da antiga rua Malambito (Peru)