Santo
São José de Arimateia

Arimateia, na Judeia, século I a.C. · lugar e data da morte desconhecidos, século I
- Agentes funerários e coveiros (título popular)
- Os que cuidam dos mortos
“José de Arimateia, membro respeitado do Conselho, que também esperava o Reino de Deus, teve a coragem de ir a Pilatos e pedir o corpo de Jesus.”
Página em conferência. O texto foi redigido pelo portal a partir das fontes indicadas e ainda está sendo revisado; datas e detalhes podem ser ajustados.
Vida
Os quatro Evangelhos falam de José de Arimateia, e todos no mesmo momento: depois da morte de Jesus. Era natural de Arimateia, uma cidade da Judeia, homem rico (Mt 27,57), membro respeitado do Sinédrio, o Conselho dos judeus (Mc 15,43). Lucas diz que era "bom e justo" e que não tinha concordado com a decisão nem com o procedimento dos outros (Lc 23,50-51). João acrescenta que era discípulo de Jesus, mas às escondidas, por medo das autoridades (Jo 19,38).
Na tarde da Sexta-feira Santa, com o sábado se aproximando, José foi a Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Pilatos se admirou de que Jesus já estivesse morto, confirmou com o centurião e entregou o corpo. José comprou um lençol de linho, desceu o corpo da cruz e, com a ajuda de Nicodemos, envolveu-o com aromas e o colocou num túmulo novo, escavado na rocha, que era dele e ficava num jardim perto do Calvário. Depois rolou uma grande pedra na entrada (Mt 27,57-60; Mc 15,42-46; Lc 23,50-54; Jo 19,38-42).
Aqui terminam as informações seguras. Tudo o que se conta depois vem da tradição e da lenda: o apócrifo Evangelho de Nicodemos (séculos IV e V) diz que ele foi preso pelos chefes judeus e libertado milagrosamente por Cristo ressuscitado; romances medievais, a partir de Robert de Boron (por volta de 1200), o ligaram ao Santo Graal e o levaram até a Inglaterra, em Glastonbury. São histórias belas, mas sem base histórica. O Martirológio Romano o lembra, junto com Nicodemos, em 31 de agosto.
Fontes: Evangelhos: Mt 27,57-60; Mc 15,42-46; Lc 23,50-54; Jo 19,38-42. Para a tradição: Evangelho de Nicodemos ou Atos de Pilatos (apócrifo, séculos IV e V); Robert de Boron, José de Arimateia (c. 1200); Martirológio Romano, 31 de agosto.
O que nos ensina
José de Arimateia ensina que a fé escondida pode, na hora decisiva, virar coragem. Enquanto os apóstolos tinham fugido, ele, um homem importante, arriscou o nome e a posição para dar a Jesus um sepultamento digno. Ensina também uma obra de misericórdia muitas vezes esquecida: enterrar os mortos e cuidar com respeito do corpo de quem partiu. Para quem canta em velórios e missas de exéquias, ele é um modelo de serviço silencioso.
Milagres
- Reconhecido
O sepultamento de Jesus no seu túmulo novo
Não é um milagre, mas é o gesto pelo qual ele é venerado, contado pelos quatro Evangelhos. O túmulo de José foi o lugar onde, na manhã de Páscoa, as mulheres encontraram a pedra removida e o túmulo vazio.
- Tradição
A libertação da prisão
O Evangelho de Nicodemos, um apócrifo, conta que José foi preso numa sala trancada por ter sepultado Jesus e que, na noite da Ressurreição, Cristo apareceu e o libertou. É relato apócrifo, sem valor histórico.
- Tradição
O Graal e o espinheiro de Glastonbury
Lendas medievais inglesas dizem que José levou à Inglaterra o cálice da Última Ceia (o Santo Graal) e que, em Glastonbury, fincou seu cajado no chão e dele brotou um espinheiro que floresce no Natal. É lenda tardia, da literatura de cavalaria, sem fundamento histórico.
“Reconhecido” = examinado nos processos de beatificação e canonização ou narrado nas fontes oficiais. “Tradição” = relato devoto, sem exame formal.
Curiosidades
- A localização de Arimateia é incerta. Muitos a identificam com Ramataim, a cidade natal do profeta Samuel, ou com a atual Rentis, na Cisjordânia.
- O túmulo de José estaria dentro da atual Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém. Ali perto há também túmulos escavados na rocha do século I que a tradição chama de "túmulo de José de Arimateia".
- Mateus cita Isaías 53,9 sem dizer: o Servo sofredor teria a sepultura "com o rico". Muitos Padres da Igreja viram em José o cumprimento dessa profecia.
- No Oriente, ele é lembrado no "Domingo das Mirróforas", o segundo domingo depois da Páscoa, junto com Nicodemos e as mulheres que levaram aromas ao túmulo.
- Na Via-Sacra, a 14ª estação, "Jesus é colocado no sepulcro", é a cena de José de Arimateia.
Oração
São José de Arimateia, que tiveste a coragem de pedir o corpo de Jesus quando todos tinham fugido, ensina-nos a não ter vergonha da nossa fé. Ajuda-nos a tratar com respeito e carinho os que morreram e a consolar as famílias enlutadas. Que a nossa música, nas despedidas, anuncie a esperança do túmulo vazio. Amém.
Oração redigida pelo portal Músico Católico.
Para retiro, encontro ou evento
- Tema
- Da fé escondida à coragem
- Lema
- "Teve a coragem de ir a Pilatos"
- Leitura
- Jo 19,38-42 (sugerida)
- Público
- Adultos, ministérios de música, pastoral da esperança e do luto, grupos de oração
- 1Reconhecer: em silêncio, perguntar: em que situações eu escondo a minha fé por medo do que vão pensar?
- 2Arriscar: escolher um gesto concreto em que vou assumir publicamente o que creio nesta semana.
- 3Cuidar: lembrar o nome de alguém que perdeu uma pessoa querida e decidir como visitá-lo ou consolá-lo.
Dinâmica: "O lençol de linho", 30 min · um pano branco no centro da sala; cada participante escreve num papel o nome de um falecido querido e o deposita sobre o pano. Termina com um canto de esperança na ressurreição.
Quando celebrar
31 de agosto · Fora do calendário · Branco
Não está no Calendário Romano Geral. O Martirológio Romano o lembra em 31 de agosto, junto com São Nicodemos. As Igrejas orientais o celebram no Domingo das Mirróforas (segundo domingo depois da Páscoa) e em 31 de julho.
Santuários e devoção
- Túmulo de Jesus: Basílica do Santo Sepulcro, Jerusalém, onde estaria o túmulo novo que José cedeu
- Lenda: Ruínas da Abadia de Glastonbury (Inglaterra), ligada às lendas medievais sobre ele