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Santo

São João Câncio

São João Câncio
Jan Kanty · CC BY-SA 3.0 · origem

Kęty (Polônia), 24 de junho de 1390 · Cracóvia, 24 de dezembro de 1473 · canonizado em 1767

  • Polônia e Cracóvia
  • Professores e estudantes universitários
  • Universidade Jaguelônica
“Cuidado com perturbar os outros: acalmar não é fácil. Cuidado com difamar: desdizer é difícil.”
Versos latinos ("Conturbare cave, non est placare suave; infamare cave, nam revocare grave") que, segundo a tradição, ele mandou escrever na parede do seu quarto na universidade. A atribuição é antiga, mas não há manuscrito do próprio santo. Tradução do portal.

Página em conferência. O texto foi redigido pelo portal a partir das fontes indicadas e ainda está sendo revisado; datas e detalhes podem ser ajustados.

Vida

João nasceu em Kęty, pequena cidade do sul da Polônia, numa família de lavradores e artesãos. Por volta de 1413, foi estudar na Universidade de Cracóvia, que o rei Ladislau Jagelão e a rainha Edviges tinham acabado de restaurar. Formou-se em artes e filosofia, foi ordenado padre e passou a lecionar.

Por alguns anos dirigiu a escola dos cônegos regulares no mosteiro de Miechów e, depois, foi pároco em Olkusz. Dizia sentir o peso da responsabilidade pelas almas e voltou para Cracóvia, onde ensinou teologia por décadas. Copiou à mão dezenas de volumes de obras filosóficas e teológicas, muitos ainda guardados na Biblioteca Jaguelônica.

Ficou conhecido pela vida simples e pela generosidade: vivia com pouco, dava aos pobres quase tudo o que recebia e jejuava com frequência. A tradição conta que fez peregrinações a pé a Roma e uma a Jerusalém. Morreu na véspera do Natal de 1473, com 83 anos, e foi sepultado na igreja de Santa Ana, em Cracóvia. Foi canonizado por Clemente XIII em 1767.

Fontes: Biografia escrita por Marcin de Olkusz (séc. XV, conhecida por cópias) e a Vita de Adam Opatowiusz (1628); atas do processo de canonização; bula de canonização de Clemente XIII (1767); manuscritos do próprio santo na Biblioteca Jaguelônica, em Cracóvia.

O que nos ensina

João Câncio ensina que estudo e santidade andam juntos. Professor brilhante, nunca usou o saber para se exaltar, e sim para servir. Ensina a cuidar das palavras, a não espalhar boatos e a não ferir o nome dos outros. Mostra também que a caridade concreta, com os pobres batendo à porta, é o melhor comentário da teologia que se ensina na sala de aula.

Milagres

  1. Tradição

    Os ladrões no caminho

    Conta a tradição que, numa viagem, foi assaltado e, ao perguntarem se tinha mais alguma coisa, disse que não. Depois lembrou-se de umas moedas costuradas na roupa, correu atrás dos ladrões e as entregou, para não mentir. Envergonhados, eles devolveram tudo. É um relato edificante, sem comprovação histórica.

  2. Tradição

    O pote de leite da criada

    Uma lenda popular diz que ele encontrou uma moça chorando porque quebrara o pote de leite dos patrões e temia o castigo, e que juntou os cacos e o pote ficou inteiro. É uma lenda devota.

  3. Reconhecido

    Curas examinadas para a beatificação e a canonização

    Nos processos do século XVII e do século XVIII, a Igreja examinou curas atribuídas à sua intercessão, aprovadas segundo as normas da época.

“Reconhecido” = examinado nos processos de beatificação e canonização ou narrado nas fontes oficiais. “Tradição” = relato devoto, sem exame formal.

Curiosidades

  • O nome "Câncio" vem do latim Cantius, forma latina de Kęty, a cidade onde nasceu.
  • Na Universidade Jaguelônica, a toga dos professores em algumas cerimônias lembra a dele, e a universidade guarda objetos ligados à sua memória.
  • Os volumes que copiou à mão somam milhares de páginas e são estudados por historiadores da filosofia medieval.
  • A festa dele ficou em 23 de dezembro porque o dia 24, data da morte, é a véspera do Natal.
  • Diz a tradição que dava as próprias roupas e sapatos aos pobres e voltava para casa com a batina longa escondendo os pés descalços.

Oração

São João Câncio, professor humilde e amigo dos pobres, ensina-nos a buscar a verdade com o coração limpo e a colocar o saber a serviço dos outros. Guarda nossa língua da maledicência e da mentira. Intercede pelos professores, pelos estudantes e por todos os que trabalham com a palavra. Que o nosso canto anuncie a verdade com caridade. Amém.

Oração redigida pelo portal Músico Católico.

Para retiro, encontro ou evento

Tema
Saber para servir
Lema
"Cuidado com difamar: desdizer é difícil"
Leitura
Tg 3,1-12 (sugerida)
Público
Universitários, professores, catequistas, ministérios de música, pastoral da educação
  1. 1Examinar: rever a última semana: em que conversas falei mal de alguém ou espalhei o que não sabia?
  2. 2Estudar: ler devagar o trecho de Tiago sobre a língua e anotar uma frase para guardar.
  3. 3Repartir: escolher um talento ou conhecimento que posso oferecer de graça a alguém este mês.

Dinâmica: "A parede do professor", 40 min · cartolina grande, canetas. Como o santo escreveu versos na parede do quarto, o grupo escreve frases curtas sobre o bom uso da palavra e as fixa na sala de ensaio ou de catequese.

Quando celebrar

23 de dezembro · Memória facultativa · Branco

Está no Calendário Romano Geral como memória facultativa em 23 de dezembro, nos dias feriais do Advento que antecedem o Natal. Na Polônia, é celebrado com grau maior.

Santuários e devoção

  • Túmulo: Igreja colegiada de Santa Ana, Cracóvia (Polônia), igreja da Universidade Jaguelônica
  • Terra natal: Basílica de São João Câncio e casa natal, em Kęty (Polônia)
  • Universidade: Collegium Maius, a parte mais antiga da Universidade Jaguelônica, Cracóvia