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Santo

São Gonçalo Garcia

São Gonçalo Garcia
Statue of St Gonsalo Garcia of Bassein, India - 20120620 · Jordanbruno89. · CC BY-SA 3.0 · origem

Baçaim (atual Vasai, Índia), c. 1556 · Nagasaki (Japão), 5 de fevereiro de 1597 · beatificado em 1627 · canonizado em 1862

  • Diocese de Vasai (Índia)
  • Pardos e mestiços no Brasil colonial (devoção das irmandades)
  • Primeiro santo nascido na Índia
“Vós sereis minhas testemunhas até os confins da terra.”
At 1,8, versículo escolhido pelo portal: Gonçalo saiu da Índia, passou por Macau e Manila e deu a vida no Japão. Não há frase autêntica dele conservada com segurança.

Página em conferência. O texto foi redigido pelo portal a partir das fontes indicadas e ainda está sendo revisado; datas e detalhes podem ser ajustados.

Vida

Gonçalo Garcia nasceu por volta de 1556 em Baçaim, então território português na costa oeste da Índia, perto da atual Mumbai. Era filho de pai português e de mãe indiana, e por isso é lembrado como o primeiro santo nascido na Índia. Estudou com os jesuítas e, ainda jovem, acompanhou um missionário ao Japão, onde aprendeu a língua e trabalhou como catequista por vários anos.

Mais tarde se dedicou ao comércio entre Macau, Japão e Manila. Nas Filipinas conheceu os franciscanos e entrou na Ordem como irmão leigo, sem ser padre. Por falar japonês, foi escolhido para acompanhar o frei Pedro Batista na missão diplomática e religiosa que os franciscanos levaram ao Japão em 1593. Em Quioto e Osaka, os frades fundaram igrejas, um hospital e atendiam doentes pobres e leprosos, e Gonçalo servia de intérprete e catequista.

Em dezembro de 1596, o governante Toyotomi Hideyoshi mandou prender os missionários. Gonçalo foi um dos 26 condenados, com Paulo Miki e Pedro Batista, levados a pé de Quioto até Nagasaki no inverno. Em 5 de fevereiro de 1597 foram crucificados na colina de Nishizaka. Foi beatificado com os companheiros em 1627 e canonizado por Pio IX em 1862.

No Brasil colonial, a sua história ganhou um significado especial. Por ser filho de português com indiana, Gonçalo Garcia foi adotado como padroeiro pelas irmandades de homens pardos, que viam nele um santo mestiço, como eles. Em Recife, os pardos fizeram em 1745 uma grande festa em sua honra, que ficou registrada num livro publicado em Lisboa poucos anos depois. No Rio de Janeiro, a irmandade dos pardos ergueu a Igreja de São Gonçalo Garcia, hoje conhecida como Igreja de São Gonçalo Garcia e São Jorge, no centro da cidade. Outras igrejas e capelas brasileiras guardam imagens dele.

Fontes: Relações contemporâneas do martírio de 1597 (cartas de franciscanos e jesuítas, Luís Fróis); bula de canonização de Pio IX (1862); Sotério da Silva Ribeiro, relato da festa dos pardos do Recife em honra de São Gonçalo Garcia (Lisboa, década de 1750); estudos sobre as irmandades de pardos no Brasil colonial.

O que nos ensina

Gonçalo Garcia ensina que Deus não olha a cor nem a origem: o filho de uma indiana e de um português, comerciante e irmão leigo, foi chamado à santidade e ao martírio. Os pardos do Brasil colonial, tantas vezes discriminados, encontraram nele um sinal de que também eram chamados a ser santos. Ele lembra ainda o valor do serviço humilde: não foi padre nem chefe da missão, foi intérprete e catequista, e isso bastou para ser testemunha de Cristo.

Milagres

  1. Reconhecido

    Martírio reconhecido

    Gonçalo foi beatificado e canonizado como mártir, ou seja, pela morte sofrida por causa da fé, o que dispensa o exame de milagres para a beatificação. O martírio está bem documentado pelos relatos da época.

  2. Tradição

    Graças das irmandades brasileiras

    As irmandades de pardos do Recife, do Rio de Janeiro e de outras cidades registraram graças atribuídas à sua intercessão, e a devoção se espalhou com procissões e festas. São relatos devotos, não examinados pela Igreja.

“Reconhecido” = examinado nos processos de beatificação e canonização ou narrado nas fontes oficiais. “Tradição” = relato devoto, sem exame formal.

Curiosidades

  • É considerado o primeiro santo nascido na Índia, mais de três séculos antes de Santa Afonsa, a primeira santa indiana de origem local canonizada em 2008.
  • No Brasil, sua festa já era celebrada em 1745, mais de cem anos antes da canonização, porque o culto dos mártires beatificados era permitido.
  • A igreja do centro do Rio de Janeiro dedicada a ele divide hoje o nome com São Jorge e é um dos lugares mais procurados da cidade no dia 23 de abril.
  • Historiadores do Brasil colonial citam a devoção a São Gonçalo Garcia como exemplo da busca de dignidade dos mestiços no Brasil colonial.
  • Não confundir com São Gonçalo de Amarante, o frade português que dá nome à cidade de São Gonçalo (RJ) e é festejado em janeiro.
  • Em Vasai, sua terra natal, há uma grande festa anual e uma igreja dedicada a ele.

Oração

São Gonçalo Garcia, filho da Índia e mártir no Japão, padroeiro dos pardos do Brasil, intercede por todos os que sofrem preconceito por causa da cor ou da origem. Ensina-nos a servir com humildade, como intérpretes do Evangelho para quem ainda não o conhece. Que nas nossas igrejas ninguém se sinta estrangeiro, e que a nossa música una o povo de Deus em um só louvor. Amém.

Oração redigida pelo portal Músico Católico.

Para retiro, encontro ou evento

Tema
Ninguém é estrangeiro na casa de Deus
Lema
"Até os confins da terra"
Leitura
Gl 3,26-28 (sugerida)
Público
Jovens, crisma, pastoral afro-brasileira, grupos missionários, ministérios de música
  1. 1Conhecer: contar a história de Gonçalo e das irmandades de pardos do Recife e do Rio de Janeiro.
  2. 2Reconhecer: em silêncio, perguntar: já excluí alguém pela cor, pelo sotaque ou pela origem? Já fui excluído?
  3. 3Acolher: escolher um gesto concreto para tornar a comunidade mais acolhedora com quem chega de fora.

Dinâmica: "Um só povo", 40 min · mapa-múndi, barbante, cartões. Ligar com barbante Índia, Macau, Filipinas, Japão e Brasil, os lugares da história de Gonçalo; cada participante escreve num cartão de onde veio a sua família e prende no mapa. Terminar com um canto que fale de unidade.

Quando celebrar

6 de fevereiro · Memória · Vermelho

É celebrado com São Paulo Miki e companheiros, mártires do Japão, em 6 de fevereiro. Algumas irmandades e comunidades brasileiras mantêm festas próprias em outras datas, conforme o costume local.

Santuários e devoção

  • Martírio: Monumento e Museu dos 26 Mártires, colina de Nishizaka, Nagasaki (Japão)
  • Terra natal: Vasai (antiga Baçaim), perto de Mumbai (Índia), com igreja e festa em sua honra
  • No Brasil: Igreja de São Gonçalo Garcia e São Jorge, centro do Rio de Janeiro (RJ)
  • No Brasil: Recife (PE), berço da devoção dos pardos desde a festa de 1745