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Santo

São Cosme e São Damião

Irmãos médicos, tradicionalmente de Egéia, na Cilícia (Ásia Menor) · mártires por volta do ano 300 · culto antiquíssimo

  • Médicos e farmacêuticos
  • Crianças (devoção popular)
  • Hospitais e enfermos
“De graça recebestes, de graça dai.”
Mt 10,8. Palavra de Jesus que a tradição aplica aos dois irmãos, lembrados no Oriente como "anargiros", os médicos que curavam sem cobrar.

Página em conferência. O texto foi redigido pelo portal a partir das fontes indicadas e ainda está sendo revisado; datas e detalhes podem ser ajustados.

Vida

Cosme e Damião foram irmãos, médicos, e morreram como mártires na época das perseguições do imperador Diocleciano. A tradição conta que nasceram numa família cristã da Arábia, exerciam a medicina em Egéia, na Cilícia, e atendiam os doentes sem cobrar nada. Por isso o Oriente os chama de "anargiros", os que não têm dinheiro, e vê neles um sinal vivo do amor de Cristo pelos que sofrem.

Os detalhes do martírio vêm de textos antigos de valor histórico limitado, que divergem entre si: falam de prisão, de torturas e de morte por decapitação, em data que se costuma situar por volta de 287 ou 303. O que é seguro é o culto, muito antigo, que se espalhou do Oriente para Roma. Os dois são citados até hoje na Oração Eucarística I, o Cânon Romano.

No século VI, o papa Félix IV transformou um edifício do Fórum Romano na basílica dos Santos Cosme e Damião, que existe até hoje. No Brasil, a devoção chegou com os portugueses e criou raízes profundas: é costume de muitas famílias, em setembro, repartir doces com as crianças em nome dos dois santos.

Fontes: Martirológio Romano (26 de setembro); Oração Eucarística I (Cânon Romano); Liber Pontificalis, sobre a basílica do Fórum, no pontificado de Félix IV (526-530); Passio dos santos, tradição grega e latina (valor histórico limitado).

O que nos ensina

Cosme e Damião ensinam que cuidar de quem sofre é uma forma de testemunhar Jesus: eles curavam sem cobrar, como o Evangelho pede. Ensinam também a unidade de dois irmãos que vivem a mesma fé e a mesma missão, e que a ciência e a fé não precisam brigar. A devoção do povo aos dois, voltada às crianças, lembra que o cuidado com os pequenos é o jeito de Deus cuidar da humanidade.

Milagres

  1. Tradição

    A cura com a perna transplantada

    Uma lenda muito pintada na Idade Média conta que os dois, já depois de mortos, apareceram em sonho a um sacristão doente e substituíram a perna dele pela de um homem recém-sepultado. É uma narrativa piedosa tardia, sem prova histórica, que fez deles padroeiros dos médicos e dos cirurgiões.

  2. Reconhecido

    O culto antigo em Roma e no Oriente

    Os dois são venerados como mártires desde a Antiguidade: estão no Cânon Romano e tiveram basílica em Roma já no século VI. Esse culto antigo é o dado reconhecido pela Igreja; as narrativas de milagres vêm da tradição.

“Reconhecido” = examinado nos processos de beatificação e canonização ou narrado nas fontes oficiais. “Tradição” = relato devoto, sem exame formal.

Curiosidades

  • Os dois nomes estão no Cânon Romano, a oração que a Igreja de Roma rezou por séculos em todas as missas.
  • A devoção a Cosme e Damião ligada a doces e crianças é um costume brasileiro muito forte. Os doces são distribuídos em geral no dia 27 de setembro, data antiga do calendário romano.
  • Em algumas religiões de matriz africana, os dois são associados a divindades gêmeas (os Ibejis), e por isso há festas com doces também nesses cultos. Para a Igreja Católica, trata-se de um sincretismo: a devoção católica é aos mártires cristãos.
  • Em Igarassu (PE), a igreja dos Santos Cosme e Damião, de origem muito antiga, é um dos templos mais velhos do Brasil.
  • A basílica do Fórum Romano guarda um dos mosaicos mais antigos de Roma, do século VI, que mostra Cristo com Pedro, Paulo e os dois irmãos.
  • São chamados de "santos médicos" ao lado de São Pantaleão, e seus nomes aparecem em muitos hospitais antigos da Europa.

Oração

São Cosme e São Damião, irmãos que serviram os doentes com as mãos e com o coração e deram a vida por Cristo, intercedei pelos médicos, enfermeiros e por todos os que cuidam de quem sofre. Cuidai das crianças, dos pobres e das nossas famílias. Ensinai-nos a dar de graça o que de graça recebemos e a viver unidos como irmãos. Que a nossa música e o nosso serviço sejam alívio para quem precisa. Amém.

Oração redigida pelo portal Músico Católico.

Para retiro, encontro ou evento

Tema
Cuidar de graça: o serviço que cura
Lema
"De graça recebestes, de graça dai"
Leitura
Mt 10,1.7-8 (sugerida)
Público
Pastoral da Saúde, ministérios, crianças e famílias, grupos de jovens
  1. 1Receber: o que eu recebi de graça na vida e nunca agradeci? Fazer a lista em silêncio.
  2. 2Cuidar: quem à minha volta está doente, cansado ou sozinho e precisa de um gesto meu esta semana?
  3. 3Repartir: cada grupo prepara algo simples para dar sem esperar nada em troca, como visita, cartão ou refeição.

Dinâmica: "Mãos que cuidam", 30 min · cada participante contorna a própria mão em papel e escreve nela um gesto de cuidado que vai fazer.

Quando celebrar

26 de setembro · Memória facultativa · Vermelho

No calendário atual, a memória é em 26 de setembro. O costume popular brasileiro, com a distribuição de doces, mantém o dia 27 de setembro, data antiga do calendário romano. A paróquia pode seguir o calendário litúrgico na missa e manter a festa popular no dia 27.

Santuários e devoção

  • Roma: Basílica dos Santos Cosme e Damião, no Fórum Romano (Itália)
  • Brasil: Igreja dos Santos Cosme e Damião, Igarassu (PE), uma das mais antigas do país
  • Origem: Região de Egéia, na Cilícia (atual Turquia), lugar tradicional do martírio