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Santo

São Calisto I, papa e mártir

São Calisto I, papa e mártir
Fresco of Pope Callixtus I - Basilica of Saint Paul Outside the Walls (Before 1823) · domínio público · origem

Roma, fim do século II · Roma, c. 222 · papa de c. 217 a c. 222

  • Coveiros e trabalhadores de cemitérios (devoção popular)
  • Catacumbas de São Calisto
“Haverá maior alegria no céu por um só pecador que se converte do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão.”
Lucas 15,7. Não se conservou frase autêntica de São Calisto; o versículo foi escolhido pelo portal porque ele defendeu o perdão aos pecadores arrependidos.

Página em conferência. O texto foi redigido pelo portal a partir das fontes indicadas e ainda está sendo revisado; datas e detalhes podem ser ajustados.

Vida

Quase tudo o que sabemos da juventude de Calisto vem de um adversário seu, o presbítero Hipólito, que escreveu sobre ele com muita hostilidade. Segundo esse relato, Calisto foi escravo de um cristão chamado Carpóforo e cuidava de um banco do patrão. O negócio faliu, ele fugiu, foi preso e acabou condenado a trabalhos forçados nas minas da Sardenha, onde também estavam outros cristãos. Por volta de 190, foi libertado com eles por intervenção junto ao imperador Cômodo.

De volta a Roma, o papa Zeferino o fez diácono e lhe confiou o cemitério dos cristãos na via Ápia. Calisto o organizou e ampliou, e ali foram sepultados vários papas do século III. Esse lugar ficou conhecido como Catacumbas de São Calisto, embora ele mesmo não esteja sepultado lá.

Por volta de 217, foi eleito papa. Hipólito e outros o acusaram de ser brando demais, porque Calisto acolhia de volta à comunhão quem tinha cometido pecados graves e se arrependia, e reconhecia como válidos casamentos entre cristãs de família nobre e homens libertos ou escravos, que a lei romana não aceitava. Calisto também condenou o erro de Sabélio sobre a Santíssima Trindade. Morreu por volta de 222, provavelmente num tumulto no bairro do Trastevere, e foi sepultado no cemitério de Calepódio, na via Aurélia. A Igreja o venera como mártir.

Fontes: Hipólito de Roma, Refutação de todas as heresias, livro IX (fonte hostil); Depositio martyrum (Cronógrafo de 354); Liber Pontificalis; Martirológio Romano; estudos arqueológicos sobre as catacumbas romanas.

O que nos ensina

São Calisto ensina que a Igreja é casa de misericórdia, onde quem cai pode se levantar. Sua própria vida, de escravo falido e condenado a papa, mostra que Deus não se prende ao passado de ninguém. Ensina também o respeito pelos mortos e pela memória da fé: cuidar de um cemitério foi, para ele, um serviço à comunidade.

Milagres

  1. Tradição

    O poço do Trastevere

    Uma tradição tardia, a Paixão de São Calisto, conta que ele foi lançado num poço durante uma revolta popular no Trastevere. O poço é mostrado até hoje na igreja de São Calisto, em Roma. Os historiadores consideram esse relato pouco seguro; o certo é que a Igreja de Roma o lembrou como mártir desde o século IV.

“Reconhecido” = examinado nos processos de beatificação e canonização ou narrado nas fontes oficiais. “Tradição” = relato devoto, sem exame formal.

Curiosidades

  • É um dos poucos papas conhecidos por ter sido escravo.
  • As Catacumbas de São Calisto, que levam seu nome, têm cerca de 20 quilômetros de galerias em vários níveis e hoje são cuidadas pelos salesianos.
  • Na cripta dos papas dessas catacumbas estão as lápides de vários papas do século III, entre eles São Ponciano e São Fabiano.
  • Ao lado da cripta dos papas ficava o túmulo de Santa Cecília, padroeira dos músicos, até seu corpo ser levado ao Trastevere no século IX.
  • A tradição liga a ele a fundação da igreja de Santa Maria no Trastevere, uma das mais antigas de Roma dedicadas a Nossa Senhora.
  • A principal fonte sobre ele foi escrita por um inimigo, Hipólito, que hoje também é santo: os dois são celebrados no calendário.

Oração

São Calisto, que conheceste a escravidão, a prisão e o recomeço, e como pastor abriste as portas da Igreja aos pecadores arrependidos, ensina-nos a confiar na misericórdia de Deus e a oferecer aos outros uma nova chance. Abençoa os que cuidam dos nossos mortos e guarda em nós a memória dos que nos transmitiram a fé. Amém.

Oração redigida pelo portal Músico Católico.

Para retiro, encontro ou evento

Tema
Ninguém é o seu passado
Lema
"Haverá alegria no céu"
Leitura
Lc 15,1-10 (sugerida)
Público
Jovens, pastoral carcerária, grupos de música, pessoas em recomeço
  1. 1Lembrar: qual momento da minha vida eu gostaria de apagar? Entregá-lo a Deus em silêncio.
  2. 2Receber: ler devagar a parábola da ovelha perdida e ouvir que o Pastor vem ao meu encontro.
  3. 3Oferecer: pensar em alguém a quem preciso dar uma nova chance e decidir um passo concreto.

Dinâmica: "A catacumba", 40 min · sala com pouca luz, velas, nomes de pessoas falecidas da comunidade. Rezar por eles, contar como transmitiram a fé e terminar com um canto de esperança na ressurreição.

Quando celebrar

14 de outubro · Memória facultativa · Vermelho

Santuários e devoção

  • Relíquias: Basílica de Santa Maria no Trastevere, Roma (Itália)
  • Lugar do martírio, segundo a tradição: Igreja de São Calisto no Trastevere, Roma, com o poço
  • Catacumbas: Catacumbas de São Calisto, via Ápia, Roma, com a cripta dos papas