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Santo

Santo André Dũng-Lạc e companheiros

Bắc Ninh (Vietnã), c. 1795 · Hanói, 21 de dezembro de 1839 · grupo de 117 mártires mortos entre 1745 e 1862 · canonizados em 1988

  • Vietnã
  • Cristãos perseguidos
  • Catequistas (devoção popular)
“No meio destes tormentos, que costumam aterrorizar os outros, estou, pela graça de Deus, cheio de alegria e contentamento, porque não estou sozinho: Cristo está comigo.”
Carta de São Paulo Lê Bảo Tịnh, um dos companheiros, escrita da prisão em 1843 aos alunos do seminário. O trecho é lido no Ofício das Leituras de 24 de novembro, na Liturgia das Horas. Tradução do portal.

Página em conferência. O texto foi redigido pelo portal a partir das fontes indicadas e ainda está sendo revisado; datas e detalhes podem ser ajustados.

Vida

André Dũng nasceu numa família pobre e não cristã do norte do Vietnã. Ainda menino, foi acolhido por um catequista, conheceu a fé e foi batizado com o nome de André. Tornou-se catequista, estudou teologia e foi ordenado padre em 1823. Trabalhou como pároco e missionário, vivendo com simplicidade e jejuando muito, e era querido pelo povo.

No século XIX, sobretudo nos reinados dos imperadores Minh Mạng, Thiệu Trị e Tự Đức, os cristãos foram duramente perseguidos no Vietnã: a fé era vista como ameaça à ordem tradicional e, cada vez mais, ligada às potências europeias. Padre André foi preso várias vezes e libertado graças a resgates pagos pelos fiéis. Para escapar, mudou o nome para Lạc, que quer dizer "alegre". Em 1839 foi preso de novo, com o padre Pedro Thi, e decapitado em Hanói em 21 de dezembro.

Estima-se que, entre os séculos XVII e XIX, dezenas de milhares de católicos vietnamitas tenham morrido pela fé. A Igreja canonizou 117 deles, mortos entre 1745 e 1862, como representantes de todos: 96 vietnamitas, 11 dominicanos espanhóis e 10 missionários franceses; entre eles, 8 bispos, 50 padres e 59 leigos, incluindo catequistas, soldados, pais e mães de família. Foram canonizados por João Paulo II em 19 de junho de 1988.

Fontes: São João Paulo II, homilia da canonização (19 de junho de 1988); Liturgia das Horas, Ofício das Leituras de 24 de novembro (carta de São Paulo Lê Bảo Tịnh); arquivos das Missões Estrangeiras de Paris e da Ordem dos Pregadores; biografias da Santa Sé (vatican.va).

O que nos ensina

Os mártires do Vietnã ensinam que a fé se transmite pela família, pelos catequistas e pela comunidade, mesmo sem padres e sem igrejas. Mostram uma alegria que a perseguição não apaga, como diz o próprio nome que André escolheu. Lembram também que a Igreja é de todos os povos: entre os 117 há asiáticos e europeus, clérigos e leigos, unidos no mesmo testemunho.

Milagres

  1. Reconhecido

    O martírio reconhecido

    Os 117 foram declarados mártires: a Igreja reconheceu que morreram em ódio à fé. Muitos tinham sido beatificados em grupos entre 1900 e 1951, e foram canonizados juntos em 1988.

  2. Tradição

    A fé que sobreviveu

    Os católicos vietnamitas consideram um sinal de Deus que a Igreja local tenha sobrevivido a séculos de perseguição e seja hoje uma das maiores da Ásia. É leitura de fé, não milagre examinado.

“Reconhecido” = examinado nos processos de beatificação e canonização ou narrado nas fontes oficiais. “Tradição” = relato devoto, sem exame formal.

Curiosidades

  • Entre os companheiros está São Teófano Vénard, missionário francês martirizado em 1861. Santa Teresinha do Menino Jesus lia as cartas dele e o tinha como irmão espiritual.
  • Santa Inês Lê Thị Thành, mãe de seis filhos, morreu na prisão em 1841 e é uma das poucas mulheres do grupo.
  • A carta de São Paulo Lê Bảo Tịnh escrita da prisão é lida todo ano pela Igreja inteira na Liturgia das Horas, em 24 de novembro.
  • A perseguição foi usada pela França como um dos pretextos para intervir militarmente no Vietnã, a partir de 1858, o que mais tarde deu início à colonização francesa. A Igreja venera os mártires pela fé, não por razões políticas.
  • O nome "Lạc", escolhido por André para se esconder, significa "alegre" ou "feliz".

Oração

Santo André Dũng-Lạc e santos mártires do Vietnã, que permanecestes alegres e firmes no meio da perseguição, intercedei por nós. Sustentai os cristãos que hoje sofrem por causa da fé, abençoai os catequistas e as famílias que transmitem o Evangelho. Dai-nos a alegria de saber que Cristo está sempre conosco. Amém.

Oração redigida pelo portal Músico Católico.

Para retiro, encontro ou evento

Tema
Não estou sozinho: Cristo está comigo
Lema
"Cheio de alegria, porque Cristo está comigo"
Leitura
Rm 8,31-39 (sugerida)
Público
Catequistas, jovens, crisma, famílias
  1. 1Medo: o que me assusta e me faz sentir sozinho na fé? Escrever e entregar em silêncio.
  2. 2Memória: quem me transmitiu a fé (pais, avós, catequistas)? Rezar por essas pessoas, dizendo o nome delas.
  3. 3Alegria: cada grupo prepara um canto ou uma oração de louvor para os cristãos perseguidos de hoje.

Dinâmica: "A corrente da fé", 30 min · fitas ou barbantes coloridos. Cada pessoa amarra a sua fita à de quem está ao lado dizendo o nome de quem lhe transmitiu a fé, até formar uma grande corrente ao redor do altar.

Quando celebrar

24 de novembro · Memória · Vermelho

Memória obrigatória no Calendário Romano Geral. No Vietnã, é solenidade.

Santuários e devoção

  • Santuário: Santuário de La Vang, Quảng Trị (Vietnã), principal santuário mariano do país, ligado à memória dos perseguidos
  • Martírio: Hanói (Vietnã), onde Santo André foi decapitado
  • Relíquias: Capela dos Mártires das Missões Estrangeiras de Paris, rue du Bac, Paris (França)