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Santo

Santa Melânia, a Jovem

Santa Melânia, a Jovem
Melania the Younger, nun of Rome (Menologion of Basil II) · Authors of Menologion of Basil II (circa 985 AC, Constantinople), Byzantine manuscript illuminators[1]: Pantoleon with Georgios, Michael the Younger, Michael of Blachernae, Symeon, Symeon of Blachernae, Menas, and Nestor (Online on Vatican site) · domínio público · origem

Roma, c. 383 · Jerusalém, 31 de dezembro de 439

  • Casais que perderam filhos (título popular)
  • Quem partilha os bens com os pobres (título popular)
“Vai, vende o que tens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me.”
Mt 19,21. Versículo escolhido pelo portal: não há frase curta de Melânia com fonte segura, e foi este o chamado que ela e o marido viveram ao pé da letra, segundo a Vida escrita por Gerôncio.

Página em conferência. O texto foi redigido pelo portal a partir das fontes indicadas e ainda está sendo revisado; datas e detalhes podem ser ajustados.

Vida

Melânia nasceu numa das famílias mais ricas de Roma, neta de outra Melânia, chamada a Velha, que já tinha deixado tudo para viver como monja em Jerusalém. Aos treze ou catorze anos foi dada em casamento ao primo Piniano. Ela desejava a vida consagrada e chegou a propor que vivessem em continência, mas aceitou o matrimônio. Tiveram dois filhos, e os dois morreram ainda pequenos. Muito abalada e doente, Melânia renovou o pedido, e desta vez Piniano concordou: os dois passaram a viver como irmãos, dedicados a Deus.

Começaram então a desfazer-se de uma fortuna enorme, com propriedades na Itália, na Sicília, na Hispânia, na África e na Bretanha. Libertaram milhares de escravos, sustentaram igrejas, mosteiros, pobres e prisioneiros, mesmo com resistência da família e do Senado romano. Pouco antes do saque de Roma por Alarico, em 410, partiram para a Sicília e depois para a África do Norte, onde viveram em Tagaste, a cidade natal de Santo Agostinho, e conviveram com ele e com o bispo Alípio. Ali fundaram dois mosteiros.

Por volta de 417 foram para Jerusalém. Melânia viveu reclusa um tempo e depois fundou um mosteiro feminino no Monte das Oliveiras e, após a morte de Piniano, em 431 ou 432, também um mosteiro masculino. Em 436 viajou a Constantinopla para visitar o tio Volusiano, alto funcionário pagão, que recebeu o batismo antes de morrer. De volta a Jerusalém, morreu em 31 de dezembro de 439, cercada pelas monjas, depois de celebrar o Natal em Belém.

Fontes: Gerôncio, Vida de Santa Melânia, a Jovem (c. 450, versões grega e latina), escrita por um monge que a conheceu; Paládio, História Lausíaca (c. 420); cartas de Santo Agostinho que mencionam o casal; Martirológio Romano, 31 de dezembro.

O que nos ensina

Melânia ensina que a dor não precisa fechar o coração. Depois de perder os filhos, ela não se trancou na tristeza: transformou o luto em generosidade e a riqueza em liberdade. Ensina que os bens são instrumentos, não donos da gente, e que um casal pode, juntos, buscar a vontade de Deus mesmo por um caminho que ninguém entende. Mostra também que a caridade verdadeira tem nome e rosto: escravos libertados, pobres alimentados, monjas acolhidas.

Milagres

  1. Tradição

    Curas narradas por Gerôncio

    A Vida escrita pelo monge Gerôncio conta algumas curas obtidas pela oração de Melânia, como a de uma mulher que não conseguia dar à luz e a de pessoas atormentadas. São relatos de um biógrafo que a admirava, sem exame posterior da Igreja.

  2. Tradição

    A conversão de Volusiano

    O batismo do tio pagão, em Constantinopla, pouco antes da morte dele, é apresentado pela tradição como fruto das orações e da insistência de Melânia. É um fato narrado pela Vida, mas não um milagre no sentido de um sinal examinado.

“Reconhecido” = examinado nos processos de beatificação e canonização ou narrado nas fontes oficiais. “Tradição” = relato devoto, sem exame formal.

Curiosidades

  • É chamada "a Jovem" para distinguir da avó, Santa Melânia, a Velha, que também fundou um mosteiro no Monte das Oliveiras.
  • Conta-se que, quando decidiu vender seus bens, possuía propriedades em várias províncias do Império e milhares de escravos; o número exato varia nas versões da Vida.
  • Conviveu com Santo Agostinho na África e, em Belém, visitou São Jerônimo, que a cita numa carta.
  • O povo de Tagaste quis que Piniano fosse ordenado padre à força, como era comum na época; Agostinho teve de intervir, e o episódio aparece numa de suas cartas.
  • Na Igreja Ortodoxa, sua festa também é em 31 de dezembro, e ela é muito venerada em Jerusalém.

Oração

Santa Melânia, que transformaste a dor da perda dos filhos em amor pelos pobres e escolheste a liberdade de seguir Cristo, consola os pais enlutados e os casais que atravessam provações. Ensina-nos a usar os bens com desapego, a partilhar com quem precisa e a buscar juntos a vontade de Deus. Que a nossa vida seja, como a tua, um caminho para o Monte onde o Senhor rezou. Amém.

Oração redigida pelo portal Músico Católico.

Para retiro, encontro ou evento

Tema
O que fazer com o que tenho: luto, partilha e liberdade
Lema
"Onde está o teu tesouro, aí estará o teu coração"
Leitura
Mt 19,16-22 (sugerida)
Público
Casais, pastoral familiar, grupos de oração, pastoral da caridade
  1. 1A dor: qual perda ainda pesa no meu coração? Entregar a Deus em silêncio, sem pressa.
  2. 2O tesouro: o que eu possuo que, na verdade, me possui? Escrever uma coisa de que preciso me desapegar.
  3. 3A partilha: em casal ou em grupo, decidir um gesto concreto de partilha com alguém necessitado neste mês.

Dinâmica: "O cesto da partilha", 30 min · um cesto no centro, papéis e canetas. Cada um escreve o que vai partilhar (tempo, bens, atenção) e coloca no cesto; no fim, reza-se juntos o Pai-Nosso.

Quando celebrar

31 de dezembro · Fora do calendário · Branco

Está no Martirológio Romano em 31 de dezembro, mas não no calendário litúrgico do Brasil. Nesse dia cai a oitava de Natal (com memória facultativa de São Silvestre I), por isso encontros sobre ela ficam melhor em outra data.

Santuários e devoção

  • Onde viveu: Monte das Oliveiras, Jerusalém, onde ficavam os seus mosteiros (hoje não restam os edifícios originais)
  • Na África: Tagaste, atual Souk Ahras (Argélia), onde fundou dois mosteiros