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Santo

Santa Macrina, a Jovem

Santa Macrina, a Jovem
Macrina the Younger · domínio público · origem

Cesareia da Capadócia (atual Kayseri, Turquia), c. 327 · Annisa, no Ponto, 379 ou 380

  • Lembrada como mestra das virgens consagradas e da vida monástica feminina no Oriente
  • Famílias (devoção, por ter formado os irmãos na fé)
“Tu, Senhor, nos livraste do medo da morte; fizeste do fim desta vida o começo da vida verdadeira.”
Oração de Macrina no leito de morte, registrada pelo irmão, São Gregório de Nissa, na Vida de Macrina, 24 (c. 380). Tradução livre do portal.

Página em conferência. O texto foi redigido pelo portal a partir das fontes indicadas e ainda está sendo revisado; datas e detalhes podem ser ajustados.

Vida

Macrina foi a primeira dos dez filhos de Basílio, o Velho, e de Emélia, numa família cristã da Capadócia. A mãe a educou com os Salmos e os livros sapienciais da Bíblia, que ela recitava ao longo do dia. Aos doze anos foi prometida em casamento a um jovem advogado, que morreu antes do casamento. Ela recusou outros pretendentes, dizendo que se considerava ligada ao noivo que esperava reencontrar na ressurreição, e decidiu ficar ao lado da mãe.

Depois da morte do pai, convenceu a mãe a transformar a propriedade da família em Annisa, às margens do rio Íris, no Ponto, numa comunidade de oração e trabalho. Servas e senhoras passaram a viver como iguais, comendo à mesma mesa e partilhando tudo. Macrina criou o irmão caçula, Pedro, futuro bispo de Sebaste, e, segundo Gregório de Nissa, foi ela quem convenceu Basílio, cheio de orgulho ao voltar dos estudos em Atenas, a deixar a carreira e se dedicar a Deus.

Durante uma fome na região, a comunidade acolheu e alimentou pobres. Em 379, nove meses depois da morte de Basílio, o irmão Gregório a visitou e a encontrou já muito doente, deitada sobre tábuas. Ela o consolou, falou longamente sobre a alma e a ressurreição e morreu rezando, ao entardecer. Gregório presidiu o enterro, junto aos pais, na igreja dos Quarenta Mártires, e escreveu a sua Vida.

Fontes: São Gregório de Nissa, Vida de Macrina (c. 380), Diálogo sobre a alma e a ressurreição e Carta 19; papa Bento XVI, catequese sobre São Gregório de Nissa (2007), que fala de Macrina.

O que nos ensina

Macrina ensina que a santidade se aprende e se ensina dentro de casa: foi ela, mais do que qualquer mestre, quem formou os irmãos que se tornariam bispos e doutores. Ensina a humildade de viver como igual a quem a sociedade considerava inferior e a enfrentar a dor e a morte com esperança, porque a morte para o cristão é passagem. Para quem canta na igreja, é exemplo de uma vida inteira ritmada pelos Salmos.

Milagres

  1. Tradição

    A cura do tumor

    Gregório de Nissa conta que Macrina teve um tumor no peito e não quis mostrá-lo a médicos. Passou a noite rezando e pediu à mãe que fizesse sobre ela o sinal da cruz. O tumor desapareceu, deixando só uma pequena marca, que Gregório diz ter visto ao preparar o corpo para o enterro. É relato de família, escrito por um irmão.

  2. Tradição

    A menina curada dos olhos

    No fim da Vida de Macrina, um oficial militar conta a Gregório que sua filha pequena tinha uma doença grave nos olhos e foi curada depois de uma visita à comunidade de Macrina, que lhe ofereceu um remédio e rezou por ela. Gregório registra o testemunho, sem exame posterior.

“Reconhecido” = examinado nos processos de beatificação e canonização ou narrado nas fontes oficiais. “Tradição” = relato devoto, sem exame formal.

Curiosidades

  • É chamada de "a Jovem" para distingui-la da avó, Santa Macrina, a Velha, que aprendeu a fé com os discípulos de São Gregório Taumaturgo.
  • Da mesma família são venerados como santos a avó, os pais, Basílio e Emélia, e os irmãos Basílio Magno, Gregório de Nissa e Pedro de Sebaste.
  • Gregório de Nissa a chama simplesmente de "a mestra", e no Diálogo sobre a alma e a ressurreição é ela quem ensina e ele quem pergunta.
  • Ela tinha um nome secreto, Tecla, revelado em sonho à mãe antes do parto, em homenagem a Santa Tecla, discípula de São Paulo segundo a tradição.
  • A comunidade de Annisa é considerada uma das primeiras experiências de vida monástica feminina organizada no Oriente, e influenciou as regras escritas por Basílio.

Oração

Santa Macrina, irmã e mestra, que transformaste a tua casa numa escola de oração e fizeste dos irmãos homens de Deus, ensina-nos a viver a fé em família, com simplicidade e partilha. Dá-nos a tua humildade, que não faz diferença entre pessoas, e a tua esperança diante da morte. Que os Salmos que cantamos marquem o ritmo dos nossos dias. Amém.

Oração redigida pelo portal Músico Católico.

Para retiro, encontro ou evento

Tema
A casa como escola de santidade
Lema
"A mestra da família"
Leitura
Pr 31,10-31 ou 2Tm 1,3-5 (sugeridas)
Público
Famílias, pastoral familiar, grupos de mulheres, ministérios, jovens
  1. 1Raiz: quem, na minha família, me transmitiu a fé? Agradecer em silêncio, nomeando essas pessoas.
  2. 2Igualdade: como trato quem me serve ou quem está "abaixo" de mim? O que mudar à luz de Macrina?
  3. 3Esperança: ler a oração final de Macrina e escrever, com as próprias palavras, uma oração de confiança diante da morte.

Dinâmica: "A árvore da fé da minha família", 45 min · folhas com o desenho de uma árvore, canetas coloridas. Cada um escreve nas raízes os nomes de quem lhe passou a fé e nos galhos a quem quer passá-la. Encerrar rezando ou cantando um salmo.

Quando celebrar

19 de julho · Fora do calendário · Branco

Não está no Calendário Romano Geral nem no calendário próprio do Brasil. É lembrada no Martirológio Romano e nas Igrejas do Oriente em 19 de julho.

Santuários e devoção

  • Onde viveu e foi sepultada: Annisa, às margens do rio Íris (Yeşilırmak), no Ponto, perto da antiga Ibora (Turquia). O local exato é incerto e não há santuário conservado.
  • Terra natal: Cesareia da Capadócia, atual Kayseri (Turquia)