Santo
Santa Catarina de Bolonha

Bolonha (Itália), 8 de setembro de 1413 · Bolonha, 9 de março de 1463 · canonizada em 1712
- Artistas e pintores (devoção tradicional)
- Bolonha (copadroeira)
- Músicos e estudantes de artes (devoção popular)
“Quem quiser carregar a cruz por amor de Cristo deve tomar as armas certas para essa batalha.”
Página em conferência. O texto foi redigido pelo portal a partir das fontes indicadas e ainda está sendo revisado; datas e detalhes podem ser ajustados.
Vida
Catarina de' Vigri nasceu em Bolonha, filha de um jurista a serviço do marquês de Ferrara. Aos dez anos foi levada para a corte dos Este, em Ferrara, como dama de companhia da jovem Margarida d'Este. Ali recebeu uma educação rara para a época: aprendeu latim, literatura, música e pintura.
Por volta dos 13 ou 14 anos, deixou a corte e entrou numa pequena comunidade de mulheres devotas em Ferrara, que pouco depois adotou a Regra de Santa Clara e formou o mosteiro do Corpus Domini. Passou por anos de tentações e de secura espiritual, que ela mesma descreveu depois. Foi padeira, porteira e mestra de noviças, e para as noviças escreveu As sete armas espirituais, um pequeno tratado sobre como enfrentar o combate interior.
Em 1456, foi enviada a Bolonha para fundar um novo mosteiro de clarissas, também chamado Corpus Domini, e foi a sua primeira abadessa. Ali continuou a rezar, a escrever, a pintar e a tocar. Morreu em 9 de março de 1463, aos 49 anos. O seu corpo, conservado, é venerado até hoje sentado, numa capela do mosteiro. Foi canonizada pelo papa Clemente XI em 1712.
Fontes: Os próprios escritos de Catarina (As sete armas espirituais, poemas e orações); Irmã Ilumina Bembo, Specchio di illuminazione (biografia escrita por uma companheira, c. 1469); papa Bento XVI, catequese sobre Santa Catarina de Bolonha (29 de dezembro de 2010).
O que nos ensina
Catarina ensina que a vida espiritual é um combate, e que ninguém vence sozinho: as suas "sete armas" são a diligência no bem, a desconfiança de si, a confiança em Deus, a memória da Paixão, a lembrança da morte, a lembrança da glória do Céu e a Sagrada Escritura guardada no coração. Ensina também que a arte pode ser oração: ela pintava, escrevia e tocava para louvar a Deus. Para quem serve na música da Igreja, é uma irmã mais velha que fez do talento um caminho de humildade.
Milagres
- Tradição
A visão da noite de Natal
Ela mesma contou que, na noite de Natal de 1445, rezando na igreja, Nossa Senhora lhe apareceu e colocou o Menino Jesus nos seus braços. A cena virou um dos temas preferidos das imagens dela. É uma experiência mística relatada por ela, sem verificação possível.
- Tradição
O corpo conservado
Sepultada sem caixão, foi exumada poucas semanas depois, segundo a biografia de Ilumina Bembo, e o corpo estava bem conservado e perfumado. Desde o século XVII é exposto sentado numa cadeira, na Capela da Santa, em Bolonha. O fato do corpo conservado é visível até hoje; a explicação sobrenatural é matéria de fé e de tradição.
- Reconhecido
Milagres do processo de canonização
Para a canonização, concluída em 1712, foram examinadas curas atribuídas à sua intercessão, segundo as normas da época.
“Reconhecido” = examinado nos processos de beatificação e canonização ou narrado nas fontes oficiais. “Tradição” = relato devoto, sem exame formal.
Curiosidades
- Tocava a "violeta", um pequeno instrumento de arco antepassado da viola, que é conservado junto do seu corpo no santuário de Bolonha.
- É uma das poucas mulheres pintoras da Itália do século XV cujas obras chegaram até nós; por isso é lembrada como padroeira dos artistas.
- Iluminou à mão o próprio breviário, com pequenas figuras e iniciais decoradas, guardado até hoje no mosteiro.
- As sete armas espirituais circularam em manuscrito e foram impressas pela primeira vez em 1475, tornando-se um dos primeiros livros de espiritualidade escritos por uma mulher a chegar à imprensa.
- A Escola de Belas-Artes de Bolonha a honrou durante muito tempo como protetora dos artistas da cidade.
- Em sua catequese de 2010, o papa Bento XVI destacou que ela foi uma mulher culta que nunca usou a cultura para se exaltar.
Oração
Santa Catarina de Bolonha, que pintaste, escreveste e tocaste para a glória de Deus, ensina-nos a colocar nossos talentos a serviço do Senhor e não da nossa vaidade. Dá-nos as armas certas para o combate de cada dia: confiança em Deus, memória da Paixão e amor à Palavra. Protege os artistas e os músicos da Igreja, para que a beleza que fazemos leve as pessoas a Cristo. Amém.
Oração redigida pelo portal Músico Católico.
Para retiro, encontro ou evento
- Tema
- O talento como oração
- Lema
- "As armas da luz"
- Leitura
- Ef 6,10-18 (sugerida)
- Público
- Ministérios de música, artistas, grupos de jovens, pastoral da cultura
- 1Reconhecer: listar os talentos que Deus me deu e perguntar: para quem eu toco, canto ou crio de verdade?
- 2Combater: escolher, entre as sete armas de Catarina, aquela de que mais preciso agora, e conversar sobre ela em duplas.
- 3Oferecer: preparar juntos um canto ou uma arte simples e oferecê-lo diante do Santíssimo.
Dinâmica: "As sete armas", 40 min · sete cartões com as armas escritas, instrumentos, papel e lápis de cor. Cada grupo sorteia uma arma, cria um pequeno canto ou desenho sobre ela e apresenta aos outros.
Quando celebrar
9 de março · Fora do calendário · Branco
Não está no Calendário Romano Geral; no dia 9 de março o calendário traz Santa Francisca Romana. É celebrada na família franciscana (em especial pelas clarissas) e em Bolonha. Confirmar no calendário da diocese.
Santuários e devoção
- Corpo: Santuário do Corpus Domini (chamado "da Santa"), mosteiro das clarissas, Bolonha (Itália)
- Ferrara: Mosteiro do Corpus Domini, onde viveu a maior parte da vida religiosa (Itália)
- Obra: Gallerie dell'Accademia, Veneza, com a "Santa Úrsula" atribuída a ela