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Santo

Beato Enrique Angelelli

Córdoba (Argentina), 17 de julho de 1923 · Punta de los Llanos, La Rioja (Argentina), 4 de agosto de 1976 · beatificado em 2019 como mártir · é BEATO, ainda não canonizado

  • Diocese de La Rioja (devoção local)
  • Camponeses e trabalhadores rurais (devoção popular)
  • Bispos e pastores (devoção popular)
“É preciso ter um ouvido no Evangelho e outro no povo.”
Frase muito citada como lema pastoral dele, em La Rioja. Tradução do portal a partir do espanhol. Conferir a origem exata (homilia ou carta) nas publicações da diocese de La Rioja.

Página em conferência. O texto foi redigido pelo portal a partir das fontes indicadas e ainda está sendo revisado; datas e detalhes podem ser ajustados.

Vida

Enrique Ángel Angelelli nasceu em Córdoba, filho de imigrantes italianos. Foi ordenado padre em 1949 e trabalhou com a juventude operária e nos bairros pobres da cidade. Em 1960 foi nomeado bispo auxiliar de Córdoba e participou do Concílio Vaticano II, que marcou profundamente o seu modo de ser pastor.

Em 1968 foi nomeado bispo de La Rioja, uma das regiões mais pobres da Argentina. Ao tomar posse, disse que não vinha para ser servido, mas para servir a todos, "sem distinção". Percorreu a diocese, apoiou a organização de cooperativas de camponeses e trabalhadores, valorizou a religiosidade popular e formou catequistas e agentes de pastoral. Seu estilo simples e próximo lhe deu grande carinho do povo, mas também oposição de quem se sentia ameaçado.

Nos anos de violência que a Argentina viveu na década de 1970, colaboradores da diocese foram mortos, entre eles os padres Carlos de Dios Murias e Gabriel Longueville e o leigo Wenceslao Pedernera. Em 4 de agosto de 1976, voltando de celebrar a Missa por eles, Angelelli morreu numa estrada da província, no que foi apresentado como acidente. Anos depois, a Justiça argentina concluiu que foi assassinado. A Igreja reconheceu os quatro como mártires, e eles foram beatificados juntos em La Rioja, em 27 de abril de 2019.

Fontes: Processo de beatificação (diocese de La Rioja e Congregação para as Causas dos Santos); homilias e cartas pastorais de Angelelli; sentença da Justiça argentina de 2014; publicações da diocese de La Rioja e da Conferência Episcopal Argentina.

O que nos ensina

Angelelli ensina que o bispo e todo pastor estão a serviço do povo, especialmente dos mais pobres, e que é preciso escutar ao mesmo tempo a Palavra de Deus e a vida das pessoas. Ensina a valorizar a fé simples do povo, as festas, as devoções e as comunidades do interior. E mostra que o Concílio Vaticano II, vivido com fidelidade, leva a uma Igreja próxima, que acompanha os que sofrem até o fim.

Milagres

  1. Reconhecido

    O martírio reconhecido

    Como mártir, foi beatificado sem exigência de milagre: a Igreja reconheceu que ele e os três companheiros morreram por ódio à fé. Para a canonização, será necessário um milagre atribuído à sua intercessão.

  2. Tradição

    Graças pedidas em La Rioja

    O povo de La Rioja e de outras regiões da Argentina relata graças atribuídas à intercessão do bispo, sobretudo em situações de pobreza e de trabalho. São relatos de devoção, ainda não examinados como milagre.

“Reconhecido” = examinado nos processos de beatificação e canonização ou narrado nas fontes oficiais. “Tradição” = relato devoto, sem exame formal.

Curiosidades

  • Os quatro mártires de La Rioja (Angelelli, Carlos de Dios Murias, Gabriel Longueville e Wenceslao Pedernera) formam um grupo raro: um bispo, dois padres (um argentino franciscano e um francês) e um leigo pai de família.
  • O lema episcopal dele era "Justiça e paz".
  • O papa Francisco, que o conheceu como jovem jesuíta, aprovou o decreto de martírio em 2018.
  • Depois da morte, a sua cruz peitoral e objetos pessoais passaram a ser venerados como relíquias na diocese.

Oração

Beato Enrique Angelelli, pastor que escutaste o Evangelho e o povo, e deste a vida servindo os pequenos, intercede por nós junto de Deus. Dá aos nossos bispos, padres e comunidades um coração próximo dos pobres, firme na fé e livre do medo. Ensina-nos a valorizar a fé simples do povo e a construir a paz com justiça. Amém.

Oração redigida pelo portal Músico Católico.

Para retiro, encontro ou evento

Tema
Um ouvido no Evangelho, outro no povo
Lema
"Não vim para ser servido, mas para servir"
Leitura
Jo 10,11-16 (sugerida)
Público
Conselhos pastorais, catequistas, lideranças de comunidade, ministérios de música
  1. 1Escutar a Palavra: ler o texto do Bom Pastor devagar e sublinhar o que mais chama a atenção.
  2. 2Escutar o povo: listar, em grupos, as alegrias e as dores concretas das pessoas da comunidade hoje.
  3. 3Unir as duas escutas: escolher uma resposta pastoral simples que una o que a Palavra pede e o que o povo precisa.

Dinâmica: "Os dois ouvidos", 45 min · Bíblia, cartolina dividida ao meio ("Evangelho" e "Povo"), canetas, violão. O grupo preenche os dois lados e, no centro, escreve o compromisso; termina com um canto do Bom Pastor.

Quando celebrar

17 de julho · Fora do calendário · Vermelho

Como beato mártir, tem memória no próprio da diocese de La Rioja e da Argentina, junto com os companheiros, não no Calendário Romano Geral nem no próprio do Brasil. Conferir se a memória foi fixada em 17 de julho (data de nascimento) ou em 4 de agosto (data da morte).

Santuários e devoção

  • Túmulo: Catedral de La Rioja (Argentina)
  • Onde morreu: Punta de los Llanos, La Rioja, com memorial à beira da estrada